Opiniões Críticas

“... Poesia clara, contundente e forte. E não se deve negar também renovada, quer nas idéias, quer no ritmo. Estou certo de que este livro abrirá caminhos mais largos à poesia de grande número dos aedos recém nascidos, ainda fascinados pelo barulho das palavras. Graças aos deuses, enraíza-se no solo da nossa poesia jovem uma árvore diferente, que nos dá frutos com o sabor dos tempos que estamos vivendo”. Jáder de Carvalho, Fortaleza, 1980

“Marcio Catunda, o criador de “Incendiário de Mitos”, em atitude subjetiva quase heróica, resiste ao zeitgeist, anulador das mais puras essências humanas, e prossegue em sua evolução literária, cônscio do significado inerente à obra artística na hierarquia dos valores espirituais. Destarte, não se revela simples manejador de ritmos e formas. Com sinceridade e efusão, busca externar os seus sentimentos em face da angustiante realidade vital. Com efeito, a sua mensagem reflete um espírito participante, rebeldado ante as amargas imposições do mundo hodierno. Imposições de ordem moral, social e econômica, em que se insinua perfeitamente a subversão dos bens mais preciosos do nosso ser, os que realmente marcam e permanecem. ... Nos versos de Márcio Catunda, que já atingiram apreciável nível de expressividade estética, vislumbra se facilmente a marcha de um espírito rumo a conquista pela de sua realização no campo da arte”. Florival Seraine, Fortaleza, 1980

“Os poemas de Navio Espacial me deixaram agradavelmente convencido de sua indiscutível vocação poética. E me deixaram, igualmente, convencido de que Vc. é um poeta essencialmente romântico, a lembrar, em muitas ocasiões, o lirimo magoado e de certo modo rebelado, do grande poeta português Mário de Sá Carneiro. Sua poesia é profundamente reveladora de certos estados de alma, e na maioria de seus poemas a invocação da morte é uma presença perturbadora. ... Seus poemas revelam, igualmente, conflitos interiores de certa profundidade, e disso resulta, sem dúvida, essa vertizalização qualitativa de seus mais recentes textos literários”. Francisco Carvalho, Fortaleza, 1891

“Muito bons de ler os seus “estórias de destino e a pérfida perfeição” e “incendiário de mitos”, que você num gesto muito amigo me enviou. Estou tendo com eles muitos momentos de prazer. É bom saber que “se o homem está sendo colocado numa sociedade mecanizada”, gente como você cuida de humanizar essa sociedade”. Arnaldo Rigueira, Rio 1983

“Márcio Catunda, sem dúvida um dos talentos mais robustos da nova geração de intelectuais, é daqueles que, no plano lliterário, não produzem pelo simples gosto de produzir. ... Márcio Catunda nasceu para andar, andar sempre, sem fadiga, no caminho das letras – caminho em que os intelectuis nem sempre escutam esta música consoladora, a música dos aplausos, a música das palmas. É que, infelizmente, neste mundo, a beleza, às vezes, não é vista ou sentida por todos os homens. Jáder de Carvalho, Fortaleza, 1984

“... Sua voz, no atual momento, não é a voz de um pequeno pardal a bicar as espigas do cotidiano. É a voz de um profeta, de um asceta, de um mago, de alguém que se sentiu subitamente iluminado pelo conhecimento da verdade transcendente. Seu lirimso, por isso mesmo, é um lirismo mais amplo e mais profundo, em que encontramos, amiúde, pequeninas jóias na imagística alargada pela identificação de sua alma com a natureza e a vida. E chama os poetas de herdeiros do amanhecer, e fala nos do mar brilhando na enseada de topázios diluídos, ou do bálsamo de mares imaginários, ou da vigília dos ermos, ou da rosa estival dos ventos. E penetra, com relativa forca, naquelo que eu chamaria de linha rilkiana da criação poética. E, quando falo em Rilke, poderia falar , igualmente, em Hoederlin, em T.S. Eliot, em Ezra Pound, em Octavio Paz, em Jorge Luis Borges, ou no nosso universal Carlos Drummond de Andrade. Refiro-me, evidentemente, aos que trabalham a poesia com largueza imagética, com sons e tons em harmonia, com grandeza conteudística, com transparências imortais”. Artur Eduardo Benevides, Fortaleza, 1984

“...Pois este asceta, asfixiado pela atmosfera do mundo, que procura redimir nossas culpas, nem sempre está imune às suas próprias, já que guarda, em alguns poemas, uma carga erótica, onde o sensualismo explode, por vezes, com toda a força de seu envolvimento amoroso. Mas é assim mesmo que se projetam as grandes almas – o profano e o divino são as metas do homem e do cristão mais fervoroso. Exigir de um poeta que ele seja contemplativo como um monje é pedir demais ao espírito, esquecendo que este é trasvestido pela carne. Márcio Catunda vem progredindo nesse campo. E isso é louvável nos dias atuais, quando o mundo parece querer se esbagaçar como uma nau desgovernada”. José Alcides Pinto, Fortaleza, 1987

“Releio seu livro, que decididamente, leva meu espírito a um verdadeiro estado de graça. Sua sensibilidade, seu amor à vida, com tudo o que ela oferece de puro, belo, verdadeiro, eleva a alma da gente aos Planos Maiores do sentimento. Nas páginas do seu belíssimo livro, meu caro Márcio, tenho encontros permanentes com as mais envolventes emoções”. César Coelho, Fortaleza 1987

“Suas poesias captam e transmitem uma profunda e intensa energia. Captam, porqure transformam em arte as percepções mais sublimes que existem em todos nós, mas que apenas para poucos assumem uma forma clara e definida. Transmitem, porque envolvem o leitor em uma espiral prateada de energias cósmicas e transcendentais”. Sergio Lebedeff, Brasília, 1987

“Seus poemas brotam sempre do fundo de um coração que está vivo e que tem fome e sede da aventura de ser puro. Você, um poeta. Que coisa boa, para todos os que tentamos compor, como “herdeiros do amanhecer”, nossos poemas, ficar conhecendo um poeta que abre a janela para o tempo eterno”. Marcos Konder Reis, Rio, 1988

“ Seus versos e prosas se abrem para muitos caminhos e veredas e é bom percorrê-los, pois eles antecipam, pela sua diversidade surpreendente, a grande praça que o espera na hora próxima e luminosa da madureza. Os seus poemas corrosivos se engastam nas cantigas de maldizer. É um gênero que está fazendo muita falta entre nós. Lêdo Ivo, Rio, 1987

“... Seu horóscopo apresenta, igualmente, elementos de dificuldade, alguns obstáculos e lutas. Contudo, nenhum horóscopo de escritor deixa de apresentar elemenos desafiadores, que podem, também, apresentar aquela vivência que é fonte de toda obra criadora. Para Márcio Catunda, como para qualquer artista com ambições legítimas, a questão estará em aproveitar seu inegável potencial para extrair de experiências difíceis aquele sentido maior, comum a toda a humanidade, e assim conseguir, através da arte, libertação para si mesmo e para os seus leitores”. Cláudio Lins, Brasília, 1987

“...Panteísta sempre o foi, cantando a terra natal, as aves, o céu, as matas, os rios e os mares, as serras. Márcio Catunda ousa incursionar pelo soneto clássico ou moderno, com preferência, parece-nos, pelo moderno, coisa que não fazia nos começos de sua poesia. E o faz bem, provando que sabe versejar bem, não somente em versos brancos, como em versos contados, pesados e medidos. Aí, então, temos o poeta completo, que se consagra em definitivo nos meios literários brasileiros”. Vasques Filho, Fortaleza, 1989

“... Ao mergulhar, como poucos, na dor e na alegria da humanidade, desejoso de transcender os limites da razão e do sentimento, de conhecer a causa primeira e o fim último da existência, este poeta torna-se um demiurgo, um construtor de universos imateriais, autor de uma obra sólida, fundada nos mais belos sonhos de amor e fraternidade”. Pedro Etchebarne, Brasília, 1989

“... Assim, não é de estranhar o fato de que Márcio Catunda percorra este itinerário poético sem esquecer o caráter lúdico da poesia. Por isso mesmo, brinca, com desenvoltura neste reino das palavras, manipulando- as e fazendo com que sirvam a seus propósitos de transformar a abstração de seus devaneios poéticos em objetos concretos que falam diretamente à sensibilidade do leitor”. Maria Izabel Brunacci, Brasília, 1989

“Se submetido, portanto, aos mecanismos de análise que o nosso Sistema de Fonometria Poemática busca desenvolver, fique-se certo de que Márcio Catunda atingiria um patamar bastante elevado. Manipulando a escritura versificada (medida, silábica assimétrica ou inteiramente livre) com experiência e sensibilidade, através dessa linguagem intencionalmente prospectiva, Márcio Catunda se lança ao encontro dos seus mitos e símbolos eletivos, transferindo as experiências dessas contemplações lúdicas e metafísicas aos demais “encantadores de estrelas”. F.S. Nascimento, Fortaleza, 1989

“Misticismo intergaláctico na poeira cósmica por onde passeia o poeta em seu tapete mágico”. Vieira Neto, Aracaju, 1990

“O poeta lida em profundidde com o ser e o mergulha na vida transcedental e cotidiana. Cada poema é um convite à meditação. Já observamos, certa vez, e agora confirmamos, se os antigos queriam fazer diferença básica entre filosofia e poesia, perderam sua interpretação diante da poesia do Século XX. Em “O Encantador de Estrelas” temos o poeta-filósofo. Alaíde Lisboa de Oliveira, Minas Gerais, 1990

“Assim é este livro de Márcio Catunda, onde cada verso parece traduzir a “noche oscura del alma” de San Juan de la Cruz, sem esquecer, no entanto, de acenar com a fatalidade da esperança, travestida na delicadeza de uma réstia de lua. Há muito de Bandeira nestes poemas, muito de Drummond – “Enigma” evoca-nos imediatamente a fulana de “O Mito”, um dos grandes poemas da ROSA DO POVO – alguma coisa de Rilke – “De resto, o mundo não muda, eu é que preciso mudar”. Paulo de Tarso Jardim, Brasília, 1990

“No livro, falas de acalantos perdidos (os meus, onde andam os meus?), mas não te embaralhas na procura eterna e, sábio, reconheces o destino, tua sina: “sei cantar como as aves do amanhecer”. Aprendeste, amigo, o juramento do estranho ofício, o ofício que nos marca e assinala como filhos de Deus e de Caim. Ofício que nos transforma em pó, pluma, pétala de flor agreste, bloco de granito. Mítico é o mundo em que passeias, universo povoado pelos seres da mitologia clássica e os da tua religião, acredito. Bendigo teus versos, a união dos deuses, o batismo da palavra e das serenas águas que o vento eriça e que dormem em tuas pupilas. Bendigo as serenas águas que te compõem, também o mar que te angustia, encantador de estrelas”. Marly Vasconcelos, Fortaleza, 1989

“Você continua a explorar com felicidade as virtualidades sonoras e semânticas do idioma, sempre vinculado às recordações da nossa terra e aos momentos marcantes da sua própria vida”. Rubem Amaral Júnior, Brasília, 1991

“Escritor veterano e mestre de todos nós, em Rosas de Fogo o poeta e ensaísta Márcio Catunda vai buscar no Tao o caminho de sua poesia. Em Rosas de Fogo o poeta encantador de estrelas brinca com seus medos e dores, com sua solidão, faz indagações sabendo que a resposta só será encontrada se ousar abraçar esse buquê de rosas de fogo que vive em seu coração”. Natalício Barroso Filho, Rio de Janeiro, 1998

“Márcio Catunda sabe como poucos captar as belezas do universo. Em vôos suaves e profundos, sobrevoa planícies e nos brinda com os melhores poemas. Lê-lo é aprender o quanto vale cultivar a sensibilidade e um dom que vem de Deus. Sua poesia nos coloca diante de um novo espetáculo cada vez que o lemos. Trata com maestria cada tema, cada momento e se entrega totalmente às asas da imaginação, levando o leitor a percorrer caminhos jamais sonhados ou imaginados”. Mercedez Vasconcellos, São Paulo, 1998

“No presente livro, (Água Lustral) Márcio Catunda nos entrega uma coletânea de poemas escritos em êxtase, nas ocasiões em que visitou algumas cidades européias, nas quais bebeu em tradicional fonte inspiradora. Sua temática polifacética também abrange, como em outros livros, o canto de seu rincão cearense (os verdes mares de Fortaleza), com impressões matizadas por recordações da infância e da adolescência, em fases importantes na formação de sua sensibilidade estética”. Ernesto Flores, São Paulo, 1998

“Terminei a leitura do livro «Agua Lustral», do poeta e escritor Márcio Catunda, que recebi de suas mãos com generosa dedicatória datada de 13 do corrente. A poesia do vate é delicada, fluida com solfejos de pássaros; imita carícias de brisa nos veleiros, lembra os gorjeios outonais. Traz uma riquíssima linguagem metafórica, que por vezes nos extasia, com auroras neblinado em torres de vazio. Seus versos diáfanos costumam embelezar manhãs com guirlandas de espumas e nos leva a regiões de mansuetude em viagens lúdicas , singrando golfos de contemplações. O poeta, não contente com os ricos tropos que o seu talento cria e ressalta, leva-nos, vezes seguidas, à Grécia antiga, dos heróis e deuses, caminhando com Apolo, fugindo às Górgonas e pelejando ao lado de Menelau, pelos carinhos de Helena”. Humberto del Maestro, Vitória, novembro 1998

“Onde quer que se abra o livro (Estância Cearense), o Ceará está presente de corpo inteiro, mergulhado na embriaguez da luz. O mesmo acontece no tocante à cidade de Fortaleza, com os seus volteios de odalisca a enfeitiçar olhares indígenas e alienígenas. Brotam faíscas de luz de todas as frestas dos poemas. As evocações povoam todas as páginas deste livro. É um constante desfilar de sombras e silhuetas que se esfumaram no tempo, mas permanecem esculpidas na memória do poeta, à maneira de vogais encravadas num obelisco de perdra. Ele nos fala de figuras humanas de todos os feitios e matrizes. De vestígios arquitetônicos de um passado que aos poucos se evapora aos ventos da modernidade. De bêbados nas esquinas enluaradas, com violões e madrigais a tiracolo. Enfim, de boêmios, poetas e de humildes figurantes da mentirosa comédia da vida”. Francisco Carvalho, Fortaleza, 1999

“Embora o nome do livro – “Ave Natura” – sugira versos engajados politicamente na preservacao da natureza, a poesia de Catunda nada tem a ver com movimentos ecológicos. Ecologia não e só participar de movimentos ou lutar pela conservação das áreas verdes. É também contemplar a natureza e envolver-se com tudo que diz respeito à sua beleza, pois isso faz bem ao espírito. As poesias contidas em “Ave Natura” não são traduções umas das outras, são poemas únicos, escritos em língua original, pelo próprio autor, exceção feita aos onze poemas em italiano, que foram traduzidos por Roni Ferreira Dias”. Karin Hildinger, Genebra, 1997

«Merci pour Ave Natura. Notre brève rencontre m’a permis de comprendre que la poésie est votre façon intime de correspondre avec le monde et avec ce qu’il est de plus subtil dans l’être. Que vous vous lanciez avec autant d’entousiasme à prendre au corps la langue française, voilà qui est étonnant pour un Européen comme moi, si assoiffé d’ailleurs et d’exotisme. Votre langue es tendresse. ...Vos pages sont surprenantes. En français, la nostalgie est douleur de la perte du passé, mais dans votre riche langue personnelle c’est le présent douloureux qui semble se dérober. Le Brésil est-il si vaste que le temps s’y est perdu ?Vos poèmes célèbrent des émotions de velours, endormies chez tant, si vivaces en vous. Votre don est de voir combien de nuances s’ entrelacent amoureusement pour former à l’ infini la rosace des mots qui, comme vous le dites si bien de celle de Notre-Dame, nous guide. J’ajouterai: dans le meilleur des cas hors du moi». Jordan Bojilov, Genebra, 1997

«Márcio, estou ouvindo o seu belo CD ao som de Albinoni, sua voz agrestemente poética. No final da semana, foi coincidência, reeencontrei um livro seu na casa de Friburgo. Que mistério esse da poesia, da nossa necessidade de traduzir tudo em palavra e ritmo. Sua seleção é forte. Você aí na Bulgária lembrando de quando leu Mário naquela rede de Niterói ou degustando aromas nos quintais de outrora. Parabéns. Devo também partir para um novo Cd. O Itamaraty, aliás, comprou a coleção dos 20 Cds que o Paulinho Lima fez. Peça-os para seu trabalho. Do nosso Rumem, com quem troquei algumas cartas, mas nunca conheci pessoalmente. O meu agradecido abraço, Affonso Romano de Sant’ Anna, Rio, 20-2-2001»

“Meu caro Márcio Catunda, Muito obrigado por sua oferenda lírica, este fortíssimo salve à naturezam, chyeio de interesse e talento. É uma prova jubilosa de que o poeta continua vivo e prolífero e o homem em crescimento constante, integrado à Natura e identificado com o Espírito. Continuem fecundos os seus dias e os seus jardins produzindo as flores emocionadas da sua bela alma, fiel à tradição cearense e agora aberta à multiplicidade dos idiomas, que V. maneja tão bem. Tais versos ficaram belíssimos na tradução italiana, sem fazer corar o Dante”. José Santiago Naud, Brasília, 1997

“LONDON GARDENS AND OTHER JOUNEYS, poemas escritos sobre os parques de Londres e os maiores bardos da língua inglesa, alhguns dos quase traduzidos pela búlgara Donka Mangatcheva, outros escritos diretamente em inglês pelo poeta Marcio Catunda, e revisados pelo grande poeta norte-americano Jeffrey Seagall, a quem o livro é dedicado”. Ernesto Flores, São Paulo, 1999

“No Chão do Destino” já está em minhas mãos e é sempre gratificante (e até comovente) saber que não saímos da sua lembrança após tantos anos sem um contato mais próximo. É a sua grandeza espiritual, essa sua ligação com a gente de sua terra, esse não esquecer os antigos companheiros, guardar um lugar para essas “vidas passadas” dentro do seu certamente atarefado presente, que dá a dimensão da sua humildade e sensibilidade”. Fernando Neri, Fortaleza, junho de 2001

“Márcio Catunda, que vive no Rio de Janeiro, é autor de vários livros, incluindo volumes de contos e memórias. Também escreve poemas. Seu Sintaxe do tempo (Editora Imprece, de Fortaleza) é feito de indignações diante da barbárie de todos os dias. Uma indignação escrita num texto poético que envolve o cotidiano das pessoas, especialmente aquelas que são massacradas em todas as esquinas por uma casta que ignora os que se perderam nos labrintos cada vez mais longos da existência. Vozes assim estão se tornando raras na poesia brasileira. O livro é um discurso contra essa rotina que protege sempre o mais forte e marginaliza cada vez mais o que já vive à margem de tudo. Um dos poemas de Márcio Catunda diz: e isso reflete bem sua palavra: «Não posso continuar assim, tendo uma casa assombrada na alma./Clarões de lua nos espelhos, nos vãos sombrios de escada./Os porões silenciosos./Há mulheres asrmadas para o martírio,/fragmentos de gente pelos ares». Márcio Catunda não se preocupa com a elaboração do poema em sua forma. O que vale, na verdade, é o que tem a dizer. Álvaro Alves de Faria, “Rascunho”, Curitiba, Janeiro 2006

“Márcio Catunda, em Sinatxe do tempo, (Imprece), fala outra língua e habita outro universo. Pode e deve ser lido na vertente política de Moacyr Félix e José Alcides Pinto que, não por acaso, assina o texto de apresentação. Alcides Pinto o irmana a Federico Garcia Lorca e César Vallejo, entre outros «defensores dos espoliados e excluídos». Seu ânimo político é catalisado pela densidade lírica, e em «Pragmatismo e Tânatos» configura-se a sua arte poética: para Márcio Catunda, ao fim de tudo cada poeta terá «apenas o que deixou por escrito». André Seffrin, Alguma Poesia Brasileira, Gazeta Mercantil”, São Paulo, 5 de Março de 2006

“No seu último livro, gentilmente enviado, «Sintaxe do Tempo», conheci o outro lado poético de Márcio Catunda que não conhecia. Um poeta atento aos descasos políticos, econômicos culturais e sociais dos governantes que imperam em todos os países dos continentes (com certezas observadas nas suas presenças por esse mundo afora).” Selmo Vasconcellos, Porto Velho, Julho de 2005

“Belo e surpreendente, de uma crueza rascante, como se quer. O falar de agora tem que pousar no barulho da tribo para acordá-la. Concordo. Mas sua Sintaxe, armada no silêncio de palavras exiladas, nos chega no redemoinho vital para dizer e denunciar. (Como queria o Evtuchenko de Santa Catarina: Lindolfo Bell). ...Porque em você se vê, muito bem realizado, o tripé tão querido de Pound: fanopéia, logopéia e melopéia. Penso em claro insight, agora que lhe escrevo, que o ritmo e a musicalidade de seus poemas tenham me levado para esse viés. Quem sabe, levado pelo ouvido. Li seus poemas ouvindo a voz de um conterrâneo seu, mestre na arte de dizer: Rogaciano Leite. Mas veja bem, o Rogaciano, não o dos salões granfinos, mas, sobretudo, aquele dos bares boêmios, a recitar Gregório, Castro Alves e Augusto dos Anjos. Ouvi também a melodia de sua poesia, imaginando seus iguais contemporâneos, mestres da música, Eudes Fraga e Eugênio Leandro cantando-a. Vi e ouvi muito mais. Porque sua poesia é para ser vista e escutada. Que mais posso dizer? Saudar seu estro e seu requintado humor, louvar sua sintaxe, que vejo ascender à verticalidade universal, antenada para a poesia do terceiro milênio, transitando, em retorno e releitura, entre a tradição e a modernidade. Bem haja, poeta! Com meu abraço de parabéns. Aníbal Beça. 19/07/05

“Meu caro Poeta: De volta de Natal, onde passei 15 dias, encontrei seu livro “Sintaxe do Tempo” e o li com a emoção rara de ler um grande poeta. Seus poemas são chocantes e, por isso, me agradam. Muito obrigado pelo oferecimento e pelo prazer de o ler. Edson Nery da Fonseca, Recife , 2005

“Caro poeta, dá gosto ver um livro como o Sintaxe do Tempo, que poesia deve servir também para isto: para denunciar, para expor as vísceras destes tempos deploráveis” . Wilson Pereira, Brasília, maio de 2005

“Saborosíssimo o seu Sintaxe do Tempo. Saboroso e doído”. Caio Porfírio Carneiro, São Paulo 2005

“Prezado Márcio Catunda, Muito obrigado pelo envio de “Sintaxe do Tempo”, que li com muito interesse. Sua indignação tão bem expressa, por exemplo, no poema “Cautela”, um dos meus preferidos, dá à poesia, nestes tempos bicudos, uma função que parecia perdida, mas que sempre foi dela. Que você continue em sua luta, pois lutar, ainda que em vão, é necessário, e o caminho está aberto. Parabéns pelo livro, que está primorosamente editado”. Leonardo Fróes, Petrópolis, junho 2005

No “Chão do destino” reflete o estado atual desse menino prodígio e da diplomacia brasileira. poemas escritos em Dublin, em Paris, em Sofia, em londres, em brasília, no Mar Egeu, nada escapa do olhar fotográfico desse autor em constante frenesi na elaboração da própria obra. Ele se dá ao luxo, inclusive, de publicar poemas escritos na íntegra em francês, inglês e espanhol, numa demonstração clara de seu espírito refinado. Poeta sideral, ouvinte atento dos caracóis e das ondas do mar, Márcio Catunda é um poeta indispensável para os seres mais sensíveis e antenados do novo milênio. Flávio Sarlo, Virtoria, 1999.

PALAVRAS SINGULARES
João Soares Neto, escritor
Márcio Catunda é um duplo, sempre. Advogado e diplomata. Cearense e cidadão do mundo. Poeta e ensaísta. Prefere o Catunda, que adotou desde sempre, ao Ferreira Gomes, que omite e não se vale da notoriedade de outros para acoplá-lo de fato, pois de direito já o é. Ao mesmo tempo em que tirava de letra o curso de bacharel em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará,dava rumo à sua nau poética aportando em grupos culturais e fazia-se presente aos “points” que a cidade abrigava sem medo de, àquela época, ser contracultura ao ouvir vozes roufenhas de poetas e cantantes.
Inquieto, optou, logo em seguida, pela carreira diplomática e o fez com êxito. Agora, após ter velejado por mares e malas diplomáticas do Peru, de Mario Vargas Llosa, da Suíça de Herman Hesse, da Bulgária de Julia Kristeva e de Portugal, de tantos, que só nos bastam Camões e Pessoa, ele volta, com suas diopitrias, como sempre, à cidade que o preparou para a vida. E vem de livro em punho e pronto. Capa verde como a esperança, retrato fotoshopeado (valha-me Deus pelo neologismo) e em 195 páginas diz palavras, não as singulares do título, mas com a energia do tiete que se aproxima de gurus, a sensibilidade do poeta que é e de uma espécie de “realpotilik”, de um novo tipo de ensaio.
E o faz nestas “Palavras Singulares”, em que se divide entre o lirismo etílico do poeta Vinicius de Moraes, seu duplo colega, pois ambos vadeiam pelas metáforas e nas aléias atemporais da Casa de Rio Branco, o Itamaraty; Cid Carvalho, múltiplo duplo, pois poeta e político, radialista e professor, espírita e bibliófilo, acadêmico e simples, por toda a vida e; Mário Gomes, essa figura que todos vêem e poucos o sentem em sua educação deseducada, no paletó amarfanhado como o seu rosto em um constante esgar a espreitar lugares, pessoas e acontecimentos.
Como já disse e repito: nada tenho de crítico literário, tampouco de resenhista, mas resta-me a condição intransferível e inalienável de ledor ou leitor. E nessa condição percorri e percebi com os olhos reais e os da alma o encanto que Vinicius e pessoas de Fortaleza exercem sobre Márcio Catunda. Ele reata também os laços afrouxados com a cidade tão cantada, festejada e hoje tão sofrida, a mercê de uma desenfreada prostituição genérica a céu aberto contemplada e sempre à espera de milagres em uma próxima eleição. Como fala o próprio Márcio: “Eu canto o advento do novo mundo e da nova era, mas não tenho a pretensão de ser profeta”.

Orlando Alcántara, Poeta Dominincano: La Fiereza del Verbo Enfurecido
(Voz Poética del Denuedo en el Arrojo).

¿Serán políticos? ¿Serán malhechores bien mimados por los estamentos del Poder? ¿Serán falsos adoradores que levantan sus arengas con falacias en nombre de Dios? Ahí está el poema. Ahí está Márcio Catunda para revelárnoslo en sus versos encendidos, encandilados por la fiereza de su verbo enfurecido. El brasileiro Márcio Catunda retumba en nuestros oídos con sus lacerantes sintagmas en busca de un hábitat mucho más justo. Del otro lado, sordos los denunciados escuchan aunque no quieran. Deben escuchar esa voz incólume de Catunda que les enrostra de modo preclaro toda su maldad en la terquedad de la usurpación de un poder que les queda corto. Porque el verdadero poder es Márcio, quien hace un recorrido audaz de principio a fin en su poema “Decálogo del Extravío” que no deja lugar a duda en cuanto al poder brioso de la palabra en manos de quien posee la verdad. Y esa verdad es adarga y lanza de un Quijote del Siglo XXI llamado Márcio Catunda, metapoeta, por más señas “poeta a secas”.

De una forma directa, sin tapujos, sin cortapisas, la voz del aeda se desata y denuncia con la viveza de su afilado decir poético aquello que evidentemente se ha agolpado en su alma por mucho tiempo en silencio y que ahora es materia poética a manera de un desgarramiento indetenible que a viva voz refulge:

“Los desquiciados se exacerban, provocativos. Hay que darles prebendas a esos presuntuosos. Los desfachatados, rufianes de turno, se esmeran en procacidad. Hay que tolerarles el desenfreno y si es posible aplaudir su soberbia.”

Este cuadro de desfachatez, desquiciamiento y desenfreno se asemeja mucho al infeliz mundo de los políticos desaprensivos que hacen del Poder un botín de guerra. La denuncia es vibrante, clara y potente. Catunda no se arremeda. Sigue con su voz de fuego en un discurrir apocalíptico, revelador, que nos parece un grito bíblico como aquél de “ven y mira” (Apocalipsis 6:3, 7; ver Versión Reina-Valera 1960):

“Taimada riña sin armisticio. Burla ubicua, befa omnímoda, Bochornosa zorrería, bufonesca lacra.”

Márcio es todo furor. Es todo denuncia. Es todo aliento arropador en el decir desbrozado. Las palabras son crudas, insultantes. La ofensa debe ser grave. Márcio evoca, sugiere. Sugestivo es su verbo descarnado y nos remite a un bajo mundo que muy bien podría ser el de delincuentes organizados, políticos apátridas o religiosos inmorales. El siguiente verso nos conmueve. Nos llega hasta la médula ósea en la territorialidad del poema:

“Aguijones listos; el alacrán como paradigma.”

La secuencia voraz de las preguntas siguientes en los versos enfurecidos de Márcio Catunda son inquisitivas retóricas sin ninguna respuesta, pues las respuestas son evidentes. De todos modos, Márcio pregunta. De todas maneras, Márcio inquiere. En el poema, el silencio es el mismo eco:

“¿Habrá galardones para el denuesto? ¿Por qué tanto empeño en esquilmar, en malversar? ¿Tanto ingenio en excederse? ¿Tanta fatuidad en depravarse? ¿Sería el desaire síntoma de adelanto? ¿La sorna seña de prosapia?”

El final poemático es parco y lapidario. El clamor de Justicia es signo que necesita un escape, una salida. Márcio la encuentra en ese mismo acto que cierra todo el poema. Veamos:

“Litigar es infructífero. El escamoteo es precepto.”

El poema presente, “Decálogo del Extravío”, del metapoeta brasileño Márcio Catunda nos lo muestra como voz que clama para ser escuchada, para ser tomada en cuenta. Lo ético es norte y brújula. La oblicuidad verbal en todo el entramado poemático es sintaxis aleatoria en la pluma de un Márcio Catunda denso, apocalíptico, revelador. En pocas palabras, tiene que decir lo que abunda a raudales en su corazón vilipendiado. Así nos atrapa de principio a fin en estos versos aguerridos, que van directo al hígado, torrente inextinguible de una voz en ristre. Así veo a Márcio Catunda en estos versos memorables que deben servir de ejemplo para que se cumplan las profecías bíblicas en el nombre de Jesucristo para la gloria de Dios Padre mediante el Espíritu Santo. ¡Amén!

«Palavras Singulares», livro de ensaios de Márcio Catunda, será lançado no dia 4 de Agosto, segunda-feira, às 18:30hs, na Missão do Brasil junto da CPLP, avenida da Liberdade, 180.

A obra é composta de ensaios biográficos a respeito de três personalidades carismáticas das letras brasileiras: o grande Vinicius de Moraes, poeta da paixão, ídolo do autor; Cid Carvalho, um dos maiores intelectuais do Brasil; e Mário Gomes, poeta dissoluto.

As vidas desses três luminares da arte da palavra são retratadas pelo estilo fluente de Márcio Catunda, autor de dezenas de obras literárias, a maioria das quais, de poesia, mas também de ensaios e contos.

Na ocasião, o autor do livro, hábil também na arte da dramaturgia, fará um recital de poemas de Vinicius de Moraes, com a participação especial do Embaixador Lauro Moreira, Chefe da Missão do Brasil junto da CPLP.

Simultaneamente à apresentação do livro, haverá uma exposição de tapeçarias da artista plástica Cláudia Lima.

Márcio Catunda é diplomata de carreira e já trabalhou nas Embaixadas do Brasil em Lima, Sófia e São Domingos e no Consulado-Geral do Brasil em Genebra. Há três anos exerce a função de Assessor Cultural da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

O evento do próximo dia 4 de Agosto marcará a sua despedida de Lisboa e do Secretariado Executivo da CPLP, uma vez que o poeta e diplomata partirá, em seguida, com destino ao Gana, onde desempenhará a função de Ministro Conselheiro da Embaixada do Brasil em Acra.

«Palavras Singulares», livro de ensaios de Márcio Catunda, a ser lançado no Ideal Clube no dia 12 de agosto próximo, às 20 horas, é composto de ensaios biográficos a respeito de três personalidades carismáticas das letras brasileiras: o grande Vinicius de Moraes, poeta da paixão, ídolo do autor, Cid Carvalho, um dos maiores intelectuais do Brasil, e Mário Gomes, poeta dissoluto.

As vidas desses três luminares da arte da palavra são retratadas pelo estilo fluente de Márcio Catunda, autor de dezenas de obras literárias, a maioria das quais, de poesia.

Na ocasião, o autor do livro, hábil também na arte da dramaturgia, fará um recital de poemas dos três poetas homenageados, com participação especial de atores cearenses.

“Dos 50 poemas deste volume, 38 vieram de quatro fontes: dois, de O Incendiário de Mitos, 1980; cinco, de Rosas de Fogo, 1998; dez, de Sintaxe do Tempo, 2005. Todos, conjuntos poéticos em que há inúmeros poemas de profunda crítica social. Por fim, outros 21 foram extraídos de um livro que se acha no momento em fase final de preparação: Escombros e Reconstruções. A alta incidência de poemas desses quatro títulos não se dá por mero acaso. Observe-se a respeito apresentação que redigi para a quarta obra citada:

O livro Escombros e Reconstruções, da autoria de Márcio Catunda, compõe-se de duas partes, que equivalem a dois tempos distintos.

Por forças das circunstâncias, o autor viu-se obrigado a trocar — por um período que lhe pareceu interminável — o mundo da civilização por um ambiente em que predomina ainda um clima de barbárie. Não apenas no sentido das diferenças tecnológicas e da falta de conforto; mas também, e principalmente, no que diz respeito aos hábitos culturais. Chocam-no, sobretudo, a falta de gentileza e o autoritarismo tirânico reinante.

Sem ter como evadir-se do local, Catunda encontra na poesia mais do que um lenitivo: dela faz seu foco de resistência, sua ponte de ligação com a civilização que aprendeu a amar. Márcio, sempre surpreendente, consegue mostrar que existem sinais de paraíso na civilização contemporânea. Civilização, aliás, em que a maioria somente consegue enxergar o freudiano mal-estar. Essa percepção emerge, dialeticamente, do confronto entre as duas seções do livro.

A primeira parte, Escombros, evoca o tom socialmente crítico de obras anteriores de Catunda, como os poemas de seu livro, de inspirado título: Incendiário de Mitos, ainda de 1980. Alguns de Rosas de Fogo, de 1998. E, bem mais recentemente, de Sintaxe do Tempo, de 2005.

Porém, em Escombros, há maior concentração em torno de um único tema, além de alcance simbolicamente muito mais profundo. Certamente, Escombros diz respeito à situação psicológica do autor. Mas, também, sinaliza uma advertência. Há, na verdade, implícito, um apelo nas entrelinhas: precisamos evitar que o árduo processo civilizatório se transforme em escombros, nas mãos dos tiranos medíocres e energúmenos de todos os mundos.

Assim, em Escombros, há poemas que expressam a dor psicológica, a indignação, o repúdio à volta ao tempo das cavernas. O clima dessa parte é consideravelmente apocalíptico e lembra a célebre advertência de Einstein a respeito da configuração de uma eventual Quarta Guerra Mundial: seria disputada com paus e pedras...

Por outro lado, a segunda parte, Reconstruções, apresenta o modo de resistência à Catunda: memórias da infância; as permanentes alusões ao mar; as recordações de bons momentos de viagens; a evocação da cultura grega e dos poetas que tanto ama, a exemplo de Baudelaire. Em suma, refugia-se nas lembranças, no canto à natureza e na afirmação do valor da civilização, naquilo que ela tem de melhor: a arte e a cultura.

Quanto aos demais 12 poemas, acham-se assim distribuídos: Do livro A Quintessência do Enigma (1986), um. De Purificações (1987), um. De Sermões ao Vento, 1990, um. De Água Lustral (1998), três. De No Chão do Destino (1999), dois. De Verbo Imaginário (2000), dois. De Meditações Líricas (2009), um. De Emoção Atlântica (2010), um.

Aqui encontramos, portanto, um extrato das múltiplas faces e fazeres deste poeta. Um escritor ao mesmo tempo tão repleto de lirismo e de misticismo quanto de espírito socialmente crítico. Aliás, nele se evidencia, também, a inegável vocação para a poesia épica.” RICARDO INGENITO ALFAYA, escritor e revisor, Rio de Janeiro-RJ, 2010

“Emoção Atlântica, de Márcio Catunda, é uma celebração da poesia e da cidade do Rio de Janeiro. Sem se alienar dos problemas sociais (...), o poeta opta por fotografar os encantos da metrópole. E, sem fazer poesia para turista, elabora cada poema como se fosse um cartão-postal, um cartão de metáforas, reveladas por sua câmera-caneta.

Em não tendo nascido na cidade, o olhar do poeta é o do estrangeiro. Lida com o objeto de seu desejo com paixão e erotismo. Em seus versos pulsa este desejo pela cidade-mulher (...).

Em tom de ode, a obra se inicia com poemas de versos longos, à Whitman, em um ritmo dinâmico que arrasta o leitor pelas paisagens do Rio; apresentadas, agora, pela alquimia da palavra. O texto, de extrema variedade metafórica, é matéria que se oferece ao olhar do leitor. Para que ele, aos poucos, reconstrua esta cidade (...).

O livro traça, portanto, um mapa de seus bairros, que vão surgindo espontaneamente, à medida que o poeta vai visitando seus escritores. Catunda enumera vários: Gilberto Mendonça Teles, Affonso Romano de Sant’anna, Laura Esteves, Tanussi Cardoso, Ricardo Ingenito Alfaya, Elaine Pauvolid, Thereza Christina Rocque da Motta, André Seffrin, Alexei Bueno e Torquato Neto ? entre outros. Trata-se, assim, de um livro de encontros (...).

Ainda que não faltem referências a pontos turísticos tradicionais (...), o poeta se dirige também às livrarias, aos locais dos eventos poéticos, e às casas onde moraram seus artistas e intelectuais; como Tom, Vinicius ou Assis Brasil. A viagem é múltipla: literal por suas ruas, literária por seus escritores e lírica por suas lembranças.

A referência exaustiva a inúmeros bairros (...) vai da Zona Norte à Zona Sul, passando pelo Centro. Identifica, para quem é de fora, não só áreas de encantamento natural, mas também do movimento literário (...).

Há, então, uma cidade feita de cimento, encravada no real; e outra, de palavras, utópica e particular. O Rio de Janeiro de Márcio Catunda é o território da esperança, em que o poético predomina. (...). Tempo e espaço, portanto, se fundem em uma união que chamaríamos, paradoxalmente, de atemporal, pois é um tempo de subjetividade, e que só ocorre nesta cidade mítica.

No poema que dá título ao livro, ainda afirma que não haverá instante/em que eu não esteja pleno de lirismo. Isto significa que o mapeamento histórico-geográfico, feito pelos versos, é mais do que tudo um mapa lírico. Nele, os objetos (Pão de Açúcar, Corcovado, Lagoa Rodrigo de Freitas) são recriados pelo vocabulário, surpreendente pela mistura de registros diversos e pela imagística, sempre sensorial, do poeta.” MARCUS VINICIUS QUIROGA, escritor. Trecho do ensaio Tributo ao Rio de Janeiro, lido por Marcus Vinicius durante a posse de Márcio Catunda no Pen Clube, em 26.10.2010

“Conheço Márcio Catunda há pouco mais de 20 anos. (...) Márcio sempre se me afigurou o típico poeta, não só por fazer versos, é claro, mas pelo aspecto mesmo - tranquilo, sem ser conformista; sonhador, sem perda de contacto com a realidade ? e pelo interesse permanentemente voltado para as coisas do espírito. Vejo que essas palavras poderiam igualmente aplicar-se ao filósofo ou ao místico moderno... E não seria Márcio tudo isso? (...)

Márcio Catunda - o poeta, o narrador, o ensaísta, o homem de espírito - prossegue em sua intensa jornada, que mais frutos promete, muitos e sazonados. Não direi que alcançou já a sua plenitude, pois o ideal da vida é, em verdade, a perseguição dessa meta; e a vida ainda se escancara para ele. Mas direi que deve andar próximo disso, seguindo, com força e tenacidade, na trilha dos eleitos.” ANDERSON BRAGA HORTA, escritor de Brasília-DF. Trecho do posfácio Em Busca da Plenitude, feito para Emoção Atlântica, 2010

“Bastariam três poemas de Emoção atlântica - Perspectiva da Lagoa Rodrigo de Freitas, Perfil ecológico de Renato Rezende e Viagem transoceânica com Homero Homem (no zimbório do Leblon) - para a consagração de um poeta. Assim, Márcio Catunda pode, sem nenhum favor, figurar entre os melhores poetas de sua geração.

Motivado agora por um Rio de Janeiro bem atual (O Rio é de todos - brilha como o sol), ele percorre a cidade com orientação quase mística. Diria mais: com o coração na boca. O enfoque é o do demiurgo, a captar uma cidade fervilhante (vastas cintilações), assimilada e reconstruída (em poesia) com a febre dos predestinados.

Poeta fluente, rumoroso e dionisíaco, Márcio Catunda é da família de Augusto Frederico Schmidt e de Tasso da Silveira - o Tasso das Canções a Curitiba - e também do Mário Quintana, que celebra Porto Alegre com amorosa intimidade (...).

Mas é Vinicius de Moraes quem mais aparece nominalmente reverenciado nestes poemas. E é evidente que Márcio Catunda identifica-se com o poeta dos sonetos e baladas, luminoso e por vezes oceânico, em seus transes amorosos ou místicos.

“Ao aderir, contudo, à poesia de cunho social, provocado pelos ínfimos/imensos desajustes urbanos (...) alcança Márcio Catunda tal exatidão e contundência que nada fica a dever aos nossos melhores e mais sintonizados poetas participativos, na conhecida vertente em que atuam ou atuaram Moacyr Félix, Thiago de Mello, Affonso Romano de Sant´Anna e José Alcides Pinto (o de Fúria).” ANDRÉ SEFFRIN, escritor. Trecho das orelhas de Emoção Atlântica, Rio de Janeiro-RJ, 2010

“O livro Meditações Líricas é um documento confessional corajoso e poeticamente singular. Nele, ao mesmo tempo em que Márcio Catunda celebra a vida, de certo modo, a condena. Evoca, assim, de maneira muito própria, a tradicional dicotomia entre o viver (Neruda) e o navegar (Fernando Pessoa).” RICARDO INGENITO ALFAYA, em Vertentes, Rio de Janeiro, 2009

“Sintaxe do Tempo, de Márcio Catunda, é feito de indignações diante da barbárie de todos os dias. Uma indignação escrita num texto poético que envolve o cotidiano das pessoas, especialmente aquelas que são massacradas em todas as esquinas por uma casta que ignora os que se perderam nos labirintos cada vez mais longos da existência. Vozes assim estão se tornando raras na poesia brasileira. O livro é um discurso contra essa rotina que protege sempre o mais forte e marginaliza cada vez mais o que já vive à margem de tudo.” ÁLVARO ALVES DE FARIA, poeta, em Rascunho, Curitiba, Janeiro 2006

“Sintaxe do Tempo é um dos mais belos títulos que conhecemos. É um texto audacioso em sua atmosfera heróica, sem se afastar do lirismo e do sensualismo que é uma constante em sua poemática.

A marca de sua revolta existencial está presente, e se insinua (e se reflete) até mesmo no erotismo exacerbado, que beira, às vezes, o escatológico. O que muito me agrada registrar, por ser fonte (e virtude) em minha própria obra. Vejamos o que diz no poema Surdo aos Credores: O velhaco é inacessível feito a bunda de uma monja. (...).

Em Sintaxe do Tempo, Márcio Catunda segue as pegadas de Maiakovski, Lorca, César Vallejo, Jorge Guillén e poucos outros defensores dos espoliados e excluídos (...).

Um livro atual, pleno de conflitos e tensões, mas também de lutas e esperanças: forte, verdadeiro, com todas as marcas do talento do autor.” JOSÉ ALCIDES PINTO, escritor. Trecho do texto de apresentação ao livro Sintaxe do Tempo, de Márcio Catunda. Fortaleza, 2005

“No seu último livro, Sintaxe do Tempo, Márcio Catunda mostra seu lado de poeta atento aos descasos políticos, econômicos culturais e sociais dos governantes que imperam em todos os países dos continentes.” SELMO VASCONCELLOS, escritor e jornalista, Porto Velho, 2005

“A obra de Márcio Catunda lembra uma árvore. As raízes estão fincadas na terra e no mar do seu querido Nordeste brasileiro. Os galhos, sob os sopros de muitos ventos, a que o destino generosamente o empurra. Nela há uma sensibilidade insaciável pela infinita variedade e maravilhas naturais. Também, o misticismo e um ímpeto de união com a natureza. Segundo seu próprio reconhecimento, sente alguma necessidade hipnótica de olhar grandes áreas aquáticas. Caracteriza-o ainda o manejo da literatura esotérica, que lê com grande interesse. As palavras-chave para a compreensão de sua poesia são paz, amor, harmonia, cosmos.

Esta Antologia Poética, intitulada Verbo Imaginário, contém textos da maioria de seus livros. Nela, o Poeta nos revela a sua vigorosa Poesia, através da impecável leitura de seus próprios versos. O leitor certamente apreciará muitíssimo a interpretação dos poemas, na voz do autor.” RUMEN STOYANOV, poeta e professor de Literatura de Língua Portuguesa, em Sófia, Bulgária. Texto presente, na íntegra, na quarta capa de Verbo Imaginário, livro e CD-Rom, Sófia, 2000

“A poesia de Márcio Catunda evoluiu dos temas sociais e de protesto, presentes nos seus primeiros livros ? notadamente em Incendiário de Mitos, de 1980 ? para a busca do transcendente, dos mistérios do ser e do enigma das coisas sagradas. Tal expressão se verifica marcadamente nos livros: A Quintessência do Enigma, de 1986; Purificações, de 1987; O Encantador de Estrelas, de 1988; e Sortilégio Marítimo, de 1990. Em seguida, o resultado de suas reflexões sobre o ser e a eternidade se configurou num livro em prosa: A Essência da Espiritualidade, de 1994.

No presente livro ? Água Lustral, 1998 ? Márcio Catunda nos entrega uma coletânea de poemas escritos em êxtase, durante as ocasiões em que visitou algumas cidades de países europeus, nos quais bebeu em tradicional fonte inspiradora. Sua temática polifacetada também abrange, como em outros livros, o canto de seu rincão cearense (os verdes mares de Fortaleza). Ele o faz com impressões matizadas por recordações da infância e da adolescência, fases importantes na formação de sua sensibilidade estética. Na sua poesia, a nostalgia do Brasil, resultante do seu interminável viajar na condição de funcionário diplomático. Também, os denominados temas eternos, configurados pela abordagem de mitos gregos (como as suas versões esotéricas de Apolo e de Asclépio). Assuntos fundados na ótica do misticismo contemplativo que o caracteriza.

Herdeiro do bucolismo e do panteísmo tradicionais ? que remontam a Empédocles, Virgílio e Horácio ? cantando em uníssono com os pássaros e as fontes, o poeta nos revela a unidade da natureza em sua multiplicidade interdependente.” ERNESTO FLORES, trecho do ensaio A poesia de Márcio Catunda, publicado no Diário do Nordeste, Fortaleza-CE, em 16 de maio de 1999. E também presente no Jornal de Poesia, de Soares Feitosa, no qual pode ser lido na íntegra.

“Márcio Catunda é um desses raros fenômenos poéticos da linguagem dos grandes buriladores da palavra.” JARBAS JÚNIOR, escritor, na introdução ao verbete Márcio Catunda, na antologia A Poesia Cearense no Século XX, org. Assis Brasil, Imago, Rio de Janeiro, 1996

“Nos mais de dez livros de poemas que Márcio Catunda publicou, em destaque este extraordinário Sortilégio Marítimo, de 1991, o dilema do poeta é existencial e social. Uma procura talvez instintiva de conciliar as duas partes, as duas bandas do ser sensível, que acabará escrevendo um belíssimo ensaio sobre A essência da espiritualidade, em 1994. (Assis Brasil, continuação do verbete da obra citada acima). ASSIS BRASIL, crítico literário. Trecho do verbete Márcio Catunda, na antologia A Poesia Cearense no Século XX, org. Assis Brasil, Imago, Rio de Janeiro, 1996.

“Panteísta sempre o foi, cantando a terra natal, as aves, o céu, as matas, as serras, os rios e os mares. Márcio Catunda ousa incursionar pelo soneto clássico ou moderno, com preferência pelo moderno, coisa que não fazia nos começos de sua poesia. E o faz provando que sabe versejar bem. Não somente em versos brancos, como em versos contados, pesados e medidos. Aí, então, temos o poeta completo, que se consagra em definitivo nos meios literários brasileiros”. VASQUES FILHO, escritor, Fortaleza, 1989

“Ao mergulhar ? como poucos ? na dor e na alegria da humanidade, desejoso de transcender os limites da razão e do sentimento; de conhecer a causa primeira e o fim último da existência, este poeta torna-se um demiurgo. Um construtor de universos imateriais, autor de uma obra sólida, fundada nos mais belos sonhos de amor e fraternidade”. PEDRO ETCHEBARNE, escritor, Brasília, 1989.

RICARDO ALFAYA A RESPEITO DE 50 POEMAS ESCOLHIDOS POR MÁRCIO CATUNDA, COLEÇÃO DA EDITORA GALO BRANCO, POESIA.

Dos 50 poemas deste volume, 38 vieram de quatro fontes: dois, de O Incendiário de Mitos, 1980; cinco, de Rosas de Fogo, 1998; dez, de Sintaxe do Tempo, 2005. Todos, conjuntos poéticos em que há inúmeros poemas de profunda crítica social. Por fim, outros 21 foram extraídos de um livro que se acha no momento em fase final de preparação: Escombros e Reconstruções. A alta incidência de poemas desses quatro títulos não se dá por mero acaso. Observe-se a respeito apresentação que redigi para a quarta obra citada:

O livro Escombros e Reconstruções, da autoria de Márcio Catunda, compõe-se de duas partes, que equivalem a dois tempos distintos.

Por forças das circunstâncias, o autor viu-se obrigado a trocar — por um período que lhe pareceu interminável — o mundo da civilização por um ambiente em que predomina ainda um clima de barbárie. Não apenas no sentido das diferenças tecnológicas e da falta de conforto; mas também, e principalmente, no que diz respeito aos hábitos culturais. Chocam-no, sobretudo, a falta de gentileza e o autoritarismo tirânico reinante.

Sem ter como evadir-se do local, Catunda encontra na poesia mais do que um lenitivo: dela faz seu foco de resistência, sua ponte de ligação com a civilização que aprendeu a amar. Márcio, sempre surpreendente, consegue mostrar que existem sinais de paraíso na civilização contemporânea. Civilização, aliás, em que a maioria somente consegue enxergar o freudiano mal-estar. Essa percepção emerge, dialeticamente, do confronto entre as duas seções do livro.

A primeira parte, Escombros, evoca o tom socialmente crítico de obras anteriores de Catunda, como os poemas de seu livro, de inspirado título: Incendiário de Mitos, ainda de 1980. Alguns de Rosas de Fogo, de 1998. E, bem mais recentemente, de Sintaxe do Tempo, de 2005.

Porém, em Escombros, há maior concentração em torno de um único tema, além de alcance simbolicamente muito mais profundo. Certamente, Escombros diz respeito à situação psicológica do autor. Mas, também, sinaliza uma advertência. Há, na verdade, implícito, um apelo nas entrelinhas: precisamos evitar que o árduo processo civilizatório se transforme em escombros, nas mãos dos tiranos medíocres e energúmenos de todos os mundos.

Assim, em Escombros, há poemas que expressam a dor psicológica, a indignação, o repúdio à volta ao tempo das cavernas. O clima dessa parte é consideravelmente apocalíptico e lembra a célebre advertência de Einstein a respeito da configuração de uma eventual Quarta Guerra Mundial: seria disputada com paus e pedras...

Por outro lado, a segunda parte, Reconstruções, apresenta o modo de resistência à Catunda: memórias da infância; as permanentes alusões ao mar; as recordações de bons momentos de viagens; a evocação da cultura grega e dos poetas que tanto ama, a exemplo de Baudelaire. Em suma, refugia-se nas lembranças, no canto à natureza e na afirmação do valor da civilização, naquilo que ela tem de melhor: a arte e a cultura.

Quanto aos demais 12 poemas, acham-se assim distribuídos: Do livro A Quintessência do Enigma (1986), um. De Purificações (1987), um. De Sermões ao Vento, 1990, um. De Água Lustral (1998), três. De No Chão do Destino (1999), dois. De Verbo Imaginário (2000), dois. De Meditações Líricas (2009), um. De Emoção Atlântica (2010), um.

Aqui encontramos, portanto, um extrato das múltiplas faces e fazeres deste poeta. Um escritor ao mesmo tempo tão repleto de lirismo e de misticismo quanto de espírito socialmente crítico. Aliás, nele se evidencia, também, a inegável vocação para a poesia épica.” RICARDO INGENITO ALFAYA, escritor e revisor, Rio de Janeiro-RJ, 2010

“Emoção Atlântica, de Márcio Catunda, é uma celebração da poesia e da cidade do Rio de Janeiro. Sem se alienar dos problemas sociais (...), o poeta opta por fotografar os encantos da metrópole. E, sem fazer poesia para turista, elabora cada poema como se fosse um cartão-postal, um cartão de metáforas, reveladas por sua câmera-caneta.

Em não tendo nascido na cidade, o olhar do poeta é o do estrangeiro. Lida com o objeto de seu desejo com paixão e erotismo. Em seus versos pulsa este desejo pela cidade-mulher (...).

Em tom de ode, a obra se inicia com poemas de versos longos, à Whitman, em um ritmo dinâmico que arrasta o leitor pelas paisagens do Rio; apresentadas, agora, pela alquimia da palavra. O texto, de extrema variedade metafórica, é matéria que se oferece ao olhar do leitor. Para que ele, aos poucos, reconstrua esta cidade (...).

O livro traça, portanto, um mapa de seus bairros, que vão surgindo espontaneamente, à medida que o poeta vai visitando seus escritores. Catunda enumera vários: Gilberto Mendonça Teles, Affonso Romano de Sant’anna, Laura Esteves, Tanussi Cardoso, Ricardo Ingenito Alfaya, Elaine Pauvolid, Thereza Christina Rocque da Motta, André Seffrin, Alexei Bueno e Torquato Neto ? entre outros. Trata-se, assim, de um livro de encontros (...).

Ainda que não faltem referências a pontos turísticos tradicionais (...), o poeta se dirige também às livrarias, aos locais dos eventos poéticos, e às casas onde moraram seus artistas e intelectuais; como Tom, Vinicius ou Assis Brasil. A viagem é múltipla: literal por suas ruas, literária por seus escritores e lírica por suas lembranças.

A referência exaustiva a inúmeros bairros (...) vai da Zona Norte à Zona Sul, passando pelo Centro. Identifica, para quem é de fora, não só áreas de encantamento natural, mas também do movimento literário (...).

Há, então, uma cidade feita de cimento, encravada no real; e outra, de palavras, utópica e particular. O Rio de Janeiro de Márcio Catunda é o território da esperança, em que o poético predomina. (...). Tempo e espaço, portanto, se fundem em uma união que chamaríamos, paradoxalmente, de atemporal, pois é um tempo de subjetividade, e que só ocorre nesta cidade mítica.

No poema que dá título ao livro, ainda afirma que não haverá instante/em que eu não esteja pleno de lirismo. Isto significa que o mapeamento histórico-geográfico, feito pelos versos, é mais do que tudo um mapa lírico. Nele, os objetos (Pão de Açúcar, Corcovado, Lagoa Rodrigo de Freitas) são recriados pelo vocabulário, surpreendente pela mistura de registros diversos e pela imagística, sempre sensorial, do poeta.” MARCUS VINICIUS QUIROGA, escritor. Trecho do ensaio Tributo ao Rio de Janeiro, lido por Marcus Vinicius durante a posse de Márcio Catunda no Pen Clube, em 26.10.2010

“Bastariam três poemas de Emoção atlântica - Perspectiva da Lagoa Rodrigo de Freitas, Perfil ecológico de Renato Rezende e Viagem transoceânica com Homero Homem (no zimbório do Leblon) - para a consagração de um poeta. Assim, Márcio Catunda pode, sem nenhum favor, figurar entre os melhores poetas de sua geração.

Motivado agora por um Rio de Janeiro bem atual (O Rio é de todos - brilha como o sol), ele percorre a cidade com orientação quase mística. Diria mais: com o coração na boca. O enfoque é o do demiurgo, a captar uma cidade fervilhante (vastas cintilações), assimilada e reconstruída (em poesia) com a febre dos predestinados.

Poeta fluente, rumoroso e dionisíaco, Márcio Catunda é da família de Augusto Frederico Schmidt e de Tasso da Silveira - o Tasso das Canções a Curitiba - e também do Mário Quintana, que celebra Porto Alegre com amorosa intimidade (...).

Mas é Vinicius de Moraes quem mais aparece nominalmente reverenciado nestes poemas. E é evidente que Márcio Catunda identifica-se com o poeta dos sonetos e baladas, luminoso e por vezes oceânico, em seus transes amorosos ou místicos.

Ao aderir, contudo, à poesia de cunho social, provocado pelos ínfimos/imensos desajustes urbanos (...) alcança Márcio Catunda tal exatidão e contundência que nada fica a dever aos nossos melhores e mais sintonizados poetas participativos, na conhecida vertente em que atuam ou atuaram Moacyr Félix, Thiago de Mello, Affonso Romano de Sant´Anna e José Alcides Pinto (o de Fúria).” ANDRÉ SEFFRIN, escritor. Trecho das orelhas de Emoção Atlântica, Rio de Janeiro-RJ, 2010

“O livro Meditações Líricas é um documento confessional corajoso e poeticamente singular. Nele, ao mesmo tempo em que Márcio Catunda celebra a vida, de certo modo, a condena. Evoca, assim, de maneira muito própria, a tradicional dicotomia entre o viver (Neruda) e o navegar (Fernando Pessoa).” RICARDO INGENITO ALFAYA, em Vertentes, Rio de Janeiro, 2009

“Sintaxe do Tempo, de Márcio Catunda, é feito de indignações diante da barbárie de todos os dias. Uma indignação escrita num texto poético que envolve o cotidiano das pessoas, especialmente aquelas que são massacradas em todas as esquinas por uma casta que ignora os que se perderam nos labirintos cada vez mais longos da existência. Vozes assim estão se tornando raras na poesia brasileira. O livro é um discurso contra essa rotina que protege sempre o mais forte e marginaliza cada vez mais o que já vive à margem de tudo.” ÁLVARO ALVES DE FARIA, poeta, em Rascunho, Curitiba, Janeiro 2006

“Sintaxe do Tempo é um dos mais belos títulos que conhecemos. É um texto audacioso em sua atmosfera heróica, sem se afastar do lirismo e do sensualismo que é uma constante em sua poemática.

A marca de sua revolta existencial está presente, e se insinua (e se reflete) até mesmo no erotismo exacerbado, que beira, às vezes, o escatológico. O que muito me agrada registrar, por ser fonte (e virtude) em minha própria obra. Vejamos o que diz no poema Surdo aos Credores: O velhaco é inacessível feito a bunda de uma monja. (...).

Em Sintaxe do Tempo, Márcio Catunda segue as pegadas de Maiakovski, Lorca, César Vallejo, Jorge Guillén e poucos outros defensores dos espoliados e excluídos (...).

Um livro atual, pleno de conflitos e tensões, mas também de lutas e esperanças: forte, verdadeiro, com todas as marcas do talento do autor.” JOSÉ ALCIDES PINTO, escritor. Trecho do texto de apresentação ao livro Sintaxe do Tempo, de Márcio Catunda. Fortaleza, 2005

“No seu último livro, Sintaxe do Tempo, Márcio Catunda mostra seu lado de poeta atento aos descasos políticos, econômicos culturais e sociais dos governantes que imperam em todos os países dos continentes.” SELMO VASCONCELLOS, escritor e jornalista, Porto Velho, 2005